Oracle Universal Content Management – Instalação e Configuração


Autor: Denis Abrantes


Bem vindo! Nesta série de tutoriais, iremos instalar um ambiente de teste do Universal Content Management.

O Oracle Universal Content Management (UCM) é uma solução focada em gestão de conteúdo. O objetivo desta solução é gerenciar o conteúdo não-estruturado (ou seja, o conteúdo que não está armazenado em tabelas de bancos de dados) que é importante para o dia-a-dia da empresa: emails, contratos, planilhas, notas fiscais, projetos, imagens, vídeos, desenhos de arquitetura, etc. Segundo os institutos de pesquisa, este conteúdo corresponde à 80% do conteúdo de negócios que existe em um ambiente corporativo, o que é um volume muito maior do que o volume de conteúdo estruturado (ou seja, os dados gerenciados por sistemas de gestão – ERP, CRM, etc). Apesar disso, durante muito tempo não existia uma tecnologia capaz de administrar esta imensa massa de informações. O UCM surgiu para atender à esta demanda.

Oracle Content Server

O coração do Universal Content Management é o repositório: O Oracle Content Server. Neste repositório, todos os documentos serão armazenados, e todas as funcionalidades pertinentes aos documentos serão habilitadas. O objetivo é que ele seja um repositório corporativo, ou seja, atenda todas as áreas de negócio. Porém cada área ou usuário terá uma visão específica e única, dependendo das políticas de segurança.

O Content Server possui uma interface de navegação e administração 100% web, disponível em diversos idiomas (incluindo o Português). Os principais recursos incluem:

  • Serviços de Biblioteca:
    • Com o uso de metadados associados aos documentos, as possibilidades de busca e taxonomia são totalmente configuráveis. Desta forma, é possível criar perfis para cada tipo de documento.
    • Os recursos de Check In e Check Out garantem que apenas um usuário possa editar um conteúdo de cada vez, mantendo a integridade do mesmo.
    • O controle de versão automático garante que todas as alterações feitas à um documento geram novas versões, mantendo os originais preservados.
    • A funcionalidade de Subscrição permite que os usuários recebam notificações automáticas por email quando documentos forem criados ou alterados. Também disponível via RSS.
  • Segurança: O controle de segurança oferece desde os recursos básicos de Atribuições, Contas, Regras e Grupos de Segurança, passando por recursos mais complexos como ACL (Access Control Lists), aonde você define para cada pasta ou documento exatamente quais são as permissões de cada usuário, até recursos mais avançados como segurança baseada em regras, aonde você pode, por exemplo, permitir que um usuário localize um documento em uma busca, e leia os seus metadados, mas não possa acessar o conteúdo do documento.
  • Conversão: Como a maioria dos formatos de documento exigem um cliente específico, o Content Server possui serviços de conversão de mais de 225 formatos de documentos para os formatos web mais conhecidos: HTML, XML e PDF. Desta forma, seus documentos podem ser usados em web sites ou visualizados sem a necessidade de ter a ferramenta cliente específica.
  • Fluxos de Aprovação: Um motor de workflow altamente flexível está incluso na solução, de forma a permitir que diversos tipos de fluxos sejam implementados, para atender às regras de negócios.
  • Categorização do Conteúdo: Crie perfis de documentos, com metadados específicos para cada um. Use os recursos do repositório para extrair informações diretamente de dentro dos documentos, facilitando o trabalho dos usuários.
  • Personalização: Baseada em regras de segurança, pelo administrador ou pelo próprio usuário. O usuário pode definir uma série de informações que irão compor a sua navegação no repositório.
  • Indexação/Busca: Os documentos são indexados automaticamente durante a publicação, o que permite que eles estejam imediatamente disponíveis para busca, textual ou por metadados.
  • Administração: Atividades administrativas, como backup e recuperação, migração, auditoria, gestão de usuários, extração de relatórios, etc estão disponíveis na interface web, de forma centralizada.

Além de tudo isso, existem diversos componentes adicionais que são instalados no Content Server para entregar novas funcionalidades. De uma forma resumida, os principais componentes incluem:

  • Digital Asset Management: Componente responsável pela conversão e gerenciamento de imagens e vídeos. Para imagens, você pode definir uma série de tamanhos, formatos e resoluções diferentes. Desta forma, independente do formato original de uma imagem, você garante que ela possui uma versão JPG de 400x400 para publicação no seu web site. Para vídeos, você pode definir uma série de conversões diferentes. Receba um vídeo em qualquer um de vários formatos e tenha ele disponível em AVI, QuickTime, Real Player, Flash, etc. Com o uso dos metadados, seu repositório pode virar um YouTube! (OBS: a conversão é feita por ferramentas externas. Para mais detalhes, entre em contato com um representante Oracle).
  • Web Content Management: Este recurso permite a criação de web sites completos, que publicam o conteúdo do repositório. Use este recurso para montar intranets ou sites públicos que tem foco nos documentos do repositório. Estes sites podem ser desenvolvidos em HTML, ASP ou JSP. Diversos recursos dinâmicos estão disponíveis, como buscas, listas de documentos, blogs, wikis, flash, etc.
  • Retention Manager: Com este componente, você consegue definir o ciclo de vida dos seus documentos, seguindo a sua tabela de temporalidade. Desta forma,  você deixa pré-definido por quanto tempo um documento como um contrato, por exemplo, será armazenado no seu repositório, e o que será feito com ele quando este tempo se esgotar.
  • Collaboration Manager: Com este componente, você pode criar projetos, que irão incluir diversos usuários e documentos. Dentro de um projeto, as permissões de segurança para os documentos podem ser diferentes do restante do repositório, se isto for necessário. Além disso, recursos como dashboards, workflows e fóruns de discussão estarão disponíveis no contexto do projeto.
Além de tudo isso, existem as formas de integração: todos os serviços internos do Content Server podem ser expostos como Web Services (incluindo os que você desenvolver). Além disso, temos uma API Java completa, Portlets para os principais portais do mercado, WebParts para Microsoft Sharepoint, integração com Windows Explorer, Office e Outlook através do padrão ODMA, etc. Alguns outros recursos de integração incluem:
  • Component Object Model (COM)
  • Servidor Web-based Distributed Authoring and Versioning (WebDAV)
  • Integrações com passagem de parâmetros através de URL
  • Integração com modelos de segurança como LDAP, Active Directory, Single Sign On, etc.
  • Extensible Markup Language (XML) – diversos tipos de documentos podem ser convertidos para XML
  • RSS Feeds para recursos como busca, arquivos de log, listas de documentos, etc.

Agora que já conhecemos um pouco do UCM, iremos instalar uma instância de teste do Content Server, para testarmos alguns dos recursos que foram descritos acima. Vamos dividir este tutorial em partes, devido à grande quantidade de informações.

Aqui entra o Disclaimer oficial: Este tutorial não é uma documentação oficial da Oracle, portanto não deve ser usado como base para implementações em produção. A sequência usada para instalação e configuração não é necessariamente a sequência oficial, nem será suportada pela Oracle. Quando você fizer o download dos produtos do site da Oracle, você irá se comprometer a não usar estes recursos em produção, e usar por um tempo máximo de 30 dias (além de seguir todas as orientações do agreement). Caso você precise do ambiente de teste por mais de 30 dias, entre em contato com um representante Oracle para obter uma mídia-teste, de maior duração, sem custos.

Neste primeiro artigo iremos instalar e configurar os pré-requisitos. A arquitetura do UCM é bastante leve, tudo o que você precisa é de um servidor web (Apache ou IIS), e um banco de dados para armazenar os metadados. O Content Server pode ser instalado em Windows, Linux e Unix (confira neste link a matriz de certificação, com as versões suportadas dos sistemas operacionais.

Pré-Requisitos

Para este ambiente, iremos usar o VMWare Workstation e Windows 2003 Standard. O uso de VMWare não é obrigatório (apenas ignore os passos que são referentes à VM), e você pode usar outras versões do Windows, como a XP (embora esta versão não seja suportada em ambiente de produção). Para montarmos nosso ambiente, você irá precisar fazer download dos seguintes produtos:

Oracle Database 10g Express Edition (Universal)

Apache 2.2

GhostScript (impressora de PDF)

Java Runtime Environment:

Universal Content Management 10gR3
Site Principal de download: http://www.oracle.com/technology/software/products/content-management/index.html
Neste site, faça download dos seguintes arquivos:

Com estes arquivos em mãos, poderemos iniciar a instalação.

Passo 1 – Criar a VM Crie a VM pelo menu File -> New -> Virtual Machine... Selecione a opção Typical e defina o sistema como Windows. Naturalmente você irá precisar de uma mídia de instalação do Windows (e uma licença válida). Dica: Crie a VM com 1024 de memória e 40 GB de disco (mas não precisa alocar este espaço imediatamente). Se você não for usar VMWare, faça uma instalação tradicional de Windows.

Passo 2 – Inicializar a VM e instalar o Windows
  • Inicie a VM com o CD de instalação do Windows no drive
  • Faça a instalação básica
  • Defina um nome de máquina para ser o servidor do ECM. Para este documento, iremos definir o nome da máquina como oracle-ucm.
  • Uma vez instalado o Windows, instale o VMWare Tools. Instale também o Office e o Acrobat Reader.
  • Se você não tiver IP fixo na VM, configure um dispositivo de loopback. Para isso:
    • Abra o Painel de Controle, clique duas vezes em Add Hardware, clique em Next
    • Selecione a opção “Yes, I have already connected the hardware”, clique em Next
    • Na próxima tela, selecione a próxima última opção, “Add a new hardware device” e clique Next
    • Selecione a próxima opção, “Install the hardware that I manually select from a list (Advanced)”
    • Na próxima tela, selecione “Network Adapters” e clique em Next
    • Em seguida, selecione “Microsoft” no campo Manufacturer e “Microsoft Loopback Adapter” na janela Network Adapter. Clique em Next
    • Finalmente, clique em Next, Next e por último em Finish. Agora precisamos configurar a placa de rede
    • No painel de controle, clique duas vezes em Network Connections. A conexão será criada como Microsoft Loopback Adapter. Clique com o botão direito nesta nova conexão e selecione Properties
    • Selecione Internet Protocol (TCP/IP) e clique em Properties
    • Na tela de propriedade, defina um endereço IP virtual, por exemplo como o da imagem:
    • Clique em OK e OK novamente para fechar a configuração da placa de loopback

      figure 1
      Configuração do IP de loopback
  • Um outro passo importante, embora não obrigatório, é ajustar o nome completo da máquina. Para isto, volte ao Desktop e clique com o botão direito em My Computer e selecione Properties. Na aba Computer Name, verifique se o Full Computer Name está preenchido com nome e domínio, como por exemplo, oracle-ucm.br.oracle.com. Caso não esteja, clique em Change… e em seguida em More… para definir o sufixo da máquina, de acordo com a imagem abaixo:

figure 2
Configuração do nome da máquina

  • Clique em OK e novamente em OK para fechar todas as janelas. Uma janela irá pedir para reiniciar o Windows. Clique em Não, pois precisamos fazer uma última alteração antes de reiniciarmos.
  • Iremos agora configurar o nosso IP no arquivo hosts, para que este IP seja utilizado pelos componentes instalados. Para isto:
    • Clique no botão Start e selecione a opção Run
    • Digite: notepad c:\WINDOWS\system32\drivers\etc\hosts e clique em OK

      figure 3

    • O notepad será exibido, com a configuração atual. Crie uma nova linha abaixo de 127.0.0.1
    • Digite nesta linha o IP e o nome da máquina. Por exemplo:
      • 10.1.1.10 oracle-ucm.br.oracle.com oracle-ucm
      Salve e feche o arquivo. Para testar esta configuração, clique em Start, Run, digite cmd e clique OK

      figure 4
      Configuração do Arquivo hosts
    • No prompt de comando que aparecerá, digite ping oracle-ucm (ou o nome de máquina que você utilizar). O retorno deverá exibir o IP que foi configurado:
    • Reinicie o computador.

      figure 5
      Checagem de IP
    • Uma vez pronta esta configuração, podemos copiar os arquivos de instalação.
Passo 3 – Carregar Arquivos
  • Agora já podemos compartilhar as pastas com os arquivos de instalação.
  • Tire o cursor da VM (Ctrl+Alt), clique no menu VM e selecione a opção Settings.
  • Clique na Aba Options, selecione a opção Shared Folders e clique em Add

    figure 6
  • Compartilhe a pasta que contém os arquivos de instalação e clique em Next e depois Finish.
  • Clique em OK.
  • Voltando à VM, crie a pasta c:\oracle\inst para os arquivos de instalação.
  • Copie os arquivos de instalação para dentro da VM. A pasta compartilhada pode ser encontrada no caminho My Network Places -> Entire Network -> VMware Shared Folders -> \\.host -> \\.host\Shared Folders
    • Copie todos os arquivos que você fez download no início deste exercício
  • Agora temos todos os arquivos de instalação no nosso ambiente, iremos começar a instalação pelo Java:
Passo 4 – Instalar Banco e produtos adicionais
  • Antes de instalarmos o banco, alguns softwares devem ser instalados:
  • Clique duas vezes no arquivo jre-1_5_0_13-windows-i586-p.exe para iniciar a instalação do JRE
    • Execute a instalação padrão, clicando em Next, Next… até Finish
  • Vamos instalar o Apache executando o arquivo apache_2.2.11-win32-x86-no_ssl.msi
    • Clique em Next, aceite o Agreement, Next, Next.
    • Na próxima tela, verifique o nome do servidor, domínio e o email.
    • Clique em Next, selecione instalação típica, Next, e Next para começar a instalação.
    • Clique em Finish ao final da instalação
  • Neste ponto temos o Apache instalado e rodando. Podemos verificar este serviço clicando no botão Start, selecionando Run. Digite services.msc e pressione enter. O serviço estará listado, com o status Started:

figure 7
Janela de Serviços do Windows

  • Para testarmos o Apache, abra o Internet Explorer, e na barra de endereço, digite o caminho do servidor:

figure 8
Tela inicial padrão do Apache

  • OBS: O banco de dados deverá ter o Character Set definido como AL32UTF8 (default no XE).
  • Para instalar o banco de dados, execute o arquivo OracleXEUniv.exe
    • Clique em Next, aceite o Agreement, clique em Browse e defina a pasta de instalação como c:\oracle\db (digite este caminho na janela e a pasta será criada automaticamente)
    • Clique em Next, defina a senha como welcome1, clique em Next e em seguida Install.
    • Quando a instalação estiver encerrada, desmarque a opção “Open Database Homepage” e clique em Finish
Agora vamos descompactar os arquivos de instalação:
Descompacte o arquivo V13682-01.zip para a pasta c:\oracle\inst. O arquivo descompactado será um outro zip. Descompacte-o para a pasta c:\oracle\inst\cs.
Descompacte o arquivo Desktop_10gR3_20080505.zip para a pasta c:\oracle\inst\Desktop.
Descompacte o arquivo DynamicConverter_10gR3_20080721.zip para a pasta c:\oracle\inst\DynamicConverter.
Decompacte o arquivo PDFWatermark_10gR3_20080606.zip para a pasta c:\oracle\inst\PDFWatermark.
Descompacte o arquivo V11647-01.zip para a pasta c:\oracle\inst. Ele deverá gerar uma pasta chamada ibr.

Agora que todos os arquivos estão descompactados, iremos configurar o banco de dados.


Passo 5 – Configuração do Banco de Dados.
  • Clique no botão Start, selecione Programs -> Oracle Database 10g e selecione Run SQL Command Line
  • Digite os seguintes comandos:
    • conn system/welcome1
    • @C:\oracle\inst\cs\UCM\ContentServer\database\oracle\admin\stellentrole.sql;
    • grant resource, connect, dba, stellent_role to ucm identified by welcome1;
    • exit;

      figure 9

    • Recomenda-se também a criação de um tablespace e datafile dedicados ao usuário ucm, mas neste exercício não iremos criar, pois será um ambiente pequeno
Se você chegou até aqui, é porque está realmente interessado em instalar o UCM :-). Agora estamos prontos para instalar o Content Server. Confira nos próximos artigos a continuação do nosso exercício.